sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Descendo a escadaria do sonho.

Sonhar, planejar, imaginar... é o primeiro passo para se conquistar algo.
Sêneca, o filósofo, traduziu bem nesta frase a importância de se ter uma meta na vida: "Nenhum vento sopra a favor de quem não sabe aonde ir".
Ainda que o objetivo esteja num horizonte distante, estipular metas significa ao menos, escolher uma direção para chegar lá.
Sonhar consiste em:

  • internalizar um desejo; 
  • torcer para que as circunstâncias sejam favoráveis; 
  • agir de forma racional visando se aproximar cada vez mais do objetivo.

Ocorre que nesse processo de sonhar, naturalmente envolvemos nossa emoção, nossa expectativa.
E é nesse aspecto que nós mulheres, altamente emocionais, adentramos o campo do incerto, nos submetemos ao risco, à frustração.

Como Cinderela pode nos ajudar nesta reflexão? Oras... o sonho, a aproximação... e um imprevisto!



O Sonho: Cinderela tinha como meta participar do baile. Atraiu para si através da sua fé e determinação, a oportunidade de realizar seu sonho.
A aproximação: Vestiu-se de azul-esperança e lindamente adentrou o enorme salão chamando a atenção de todos. Encantando o coração do príncipe.
Viu face a face a chance única de libertar-se de suas misérias, suas tristezas.
O imprevisto: Ao soar as doze badaladas no relógio real, desce apressada a escadaria do sonho, deixando para trás o maior sonho de sua vida. Desce agora anônima, inconsolável, frustrada e descrente, a pobre Cinderela.


A vida é mesmo surpreendente. Nem a personagem da nossa história, e nem você, em seus sonhos frustrados, pode perceber que justamente o imprevisto, no caso representado pela perda do sapatinho de cristal, seria apenas um novo caminho.

Muitas vezes, declaramos mentalmente nossa própria derrota, sem ao menos constatar o que ficou pelo caminho. Nem sempre as coisas saem conforme o planejado, nem sempre saem o ideal que tanto sonhamos.
Os imprevistos podem ser a abertura de um novo caminho, e se feitas as escolhas certas, pode se revelar ainda mais florido e feliz do que aquele que planejamos.

O Final Feliz de Cinderela todas nós já conhecemos.

Mas voltando pra vida real, cabe a cada uma de nós recolher as esperanças caídas, redirecionar os passos, não desanimar. Se o "príncipe" não bateu a sua porta para lhe calçar o sapato perdido, faça o caminho inverso: Corra atrás do "príncipe".
Não desista de seus sonhos, apenas redirecione seus passos.

Nosso amigo filósofo Sêneca, diria: São os ventos da mudança soprando em novas direções.


sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Vestir-se pra Guerra

Toda Mulher é Forte. 
A prova disso são as incumbências que a natureza nos deu, sendo a maior e mais importante de todas: a maternidade.
Independente disso, já nascemos programadas com um forte instinto de proteção, somos sensíveis, intuitivas, perspicazes como é necessário a  toda leoa que cuida da cria, e dessa forma, estendemos todos esses cuidados a vários aspectos da nossa vida.
Cuidamos dos amigos, do nosso amor, dos filhos, dos irmãos, dos pais. Nos entregamos ao trabalho, ao relacionamento, alimentamos os sonhos. Os nossos, e os de quem amamos.
As mulheres são mesmo assim. Precisam doar seu amor, precisam se sentir queridas.

Para ilustrar o que estamos falando, nada melhor que as cenas do filme Mulan 1 para demonstrar do que é capaz a mulher que ama.  

Esta cena traz o momento da indignação, quando vemos alguém que amamos muito, sofrendo. O coração fica angustiado, a tristeza invade como chuva repentina. Essa é uma dor que todas nós já sentimos, enquanto nos perguntamos: o que eu posso fazer para ajudar? 
Ainda que estejamos em dificuldades, e mesmo precisando de ajuda... colocamos a dor do outro como prioridade a ser sanada. 


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Esta cena traduz quando então, a indignação, a dor, se transformam em decisão.
É o momento de agir, nem que pra isso, precise arriscar a sí mesma. Nem que o marido vá reclamar. Nem que perca o emprego. Nem que a despensa não seja suficiente pra todos. Nem que perca noites de sono. Nem que afete minha vaidade. Quem ama não mede esforços.

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E assim vamos exercendo esta habilidade que a natureza nos deu: Cuidar de tudo ao mesmo tempo. Ser disponível aos que amamos: apoiar os amigos mesmo estando fracas, brincar com o filho quando o corpo pede repouso, liberar o perdão mesmo com o coração machucado, só para tirar o peso da culpa na pessoa que amamos.
Mulheres estão sempre vestidas para guerra.
Mas em dados momentos, precisam reforçar a armadura. Por amor.


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Pérola Negra

Tiana, a primeira Princesa Negra da Disney.

Pesquisa realizada numa escola pública de Brasilia, publicada na Revista Psico, Porto Alegre, PUCRS, v. 42, n. 2, pp. 197-205, abr./jun. 2011.

Método:
Consistia em investigar interações entre meninas negras e brancas, na faixa etária de 9 a 11 anos.

Ocorreu após a pesquisadora distribuir, de forma proposital, uma boneca para cada menina, etnicamente trocadas. 
  • A boneca negra foi oferecida à Vivian e Helen (brancas), e elas recusaram. 
  • Após insistência da pesquisadora, Helen aceitou a boneca negra. 
  • Vivian ficou com a boneca de cabelos castanhos.
  • Paula (negra) ficou com a boneca oriental. 
  • Leila (negra) pediu para ficar com a boneca loira, e alegrou-se ao recebê-la. 

As meninas, então, iniciaram a brincadeira livre.
O momento de distribuição das bonecas já deu uma idéia da preferência de cada menina, e registrados os diálogos entre elas, ao comparar as bonecas e relacionarem as características das bonecas com as suas próprias, a pesquisadora observou o seguinte:

(1) Que existiu uma invisibilidade da boneca negra para todas as meninas; 
(2) Para as meninas negras, esta invisibilidade pode ser estendida a características próprias; 
(3) O caso de Leila (negra) demonstra que além da invisibilidade de características de sua própria etnia, coexiste a valorização excessiva de características caucasianas, atingindo seu ápice com a perspectiva futura de anular as características pessoais para adquirir artificialmente um “cabelo loiro”.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:
Destacamos que episódios similares a este foram observados e relatados nas diversas etapas da pesquisa, sempre na direção da  desvalorização da negritude. A desvalorização, por todas as meninas, de características típicas da população negra,  mostra  o  quanto é  difícil  para  a  criança  negra  construir  uma  noção  de pertencimento étnico-racial positiva e, com isso, um saudável desenvolvimento e constituição de self (Oliveira, 1994). 
Os padrões de beleza dominantes, impregnados de preconceito contra as características negras e de supervalorização das brancas, canalizam culturalmente as interações nos processos de socialização infantil. 

A trajetória de desenvolvimento moral das crianças aponta para a manutenção do racismo velado, e não para a erradicação do preconceito étnico-racial, já explícito na fase infantil, e com impacto mais devastador para as crianças negras (Freire, 2008; Oliveira, 1994).
Leia neste link o conteúdo na íntegra




A beleza negra é exuberante, nada tem de discreta ou passiva.
Em suas veias corre o sangue de uma gente sofrida que resiste à opressão dominante com trabalho e com garra. O sangue de uma gente festeira, que dança, que produz arte, que acolhe, e que tem o sorriso mais branco e alegre do Planeta.
Em homenagem às Mulheres, fiz este vídeo.

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domingo, 4 de novembro de 2012

O choque do Despertar


"Ela esteve ausente por muito tempo, mas poucos perceberam.
Mantinha a rotina, as obrigações de forma condicionada. Não acrescentava nada de novo: os mesmos cd's, as mesmas pessoas, o mesmo caminho.
Vivia em constante estado de adormecimento da sua personalidade, abafava seus instintos, preferia a estabilidade dos dias sem novidade, sem exaltações nem desafios.
Enquanto a semana corria, ela via da janela os caminhões de mudança que chegavam e partiam. Tinha notícia da formatura dos sobrinhos, da amiga que se casou, da outra que teve neném.
Aurora, uma mulher adormecida no tempo."


O sono de Aurora pode ser analisado à luz de duas perspectivas, cada uma definida por fator interno ou externo:

  • Fator Interno: Manter a zona de conforto à custa de permanecer inerte. O medo do fracasso. Medo do desafio de se começar algo com conclusão a longo prazo como um curso, uma faculdade. Medo de se relacionar, de baixar a guarda, entregar-se à um amor, uma paixão, uma amizade pelo risco de se decepcionar com o outro, ou até mesmo, o medo de não corresponder à expectativa neste relacionamento. E tantos outros medo, causados pelos fantasmas internos, que  bloqueiam, paralisam as convicções, diminuem a auto estima.
  • Fator Externo: São situações geradas por motivos de força maior que impedem a pessoa de realizar seus projetos como: doença, relacionamentos possessivos, problemas ou necessidades familiares em geral como a vida exclusivamente doméstica, e impedimentos de inúmeras naturezas, que podam a capacidade de ação.

O fato é que o despertar será sempre um choque, o qual a princípio ofusca os olhos, confunde, atemoriza. No entanto, é o primeiro passo depois de um longo período de inércia.
Acordar para a vida significa agora tomar atitudes, fazer escolhas e se responsabilizar por elas, assumir os riscos.
Por mais difícil que pareça ser, toda mulher carrega em si a força necessária para reagir, sendo fatores internos ou externos, é preciso acreditar no despertar, na própria capacidade de superar as crises que a vida nos apresenta.




Quando a alma grita por mudança.


Já lí várias vezes nos contos, nas poesias, em algum artigo de psicologia, sobre o vazio que cada um tem dentro de si.
Penso que a raiz desse vazio esteja relacionado à cumprir as expectativas que nos rodeiam diariamente vinda dos pais, da escola, da família,  do trabalho, da sociedade, do parceiro, dos filhos... o fato é que nunca conseguiremos estar num patamar que sacie a todos. Em outras palavras, não damos conta. Se nos empenhamos no trabalho e no estudo, o marido e os filhos clamam por atenção. Se nos dedicamos a familia, as rotinas da casa, corremos o risco de esquecer de cuidar de nós mesmas, do nosso lazer, nossa aparencia, nossos interesses pessoais.
E assim é feita nossa vida, de escolhas.
No entanto, a reflexão nunca pode nos abandonar. Pensar sobre sí, seus desejos, suas metas ainda que pareçam inalcançáveis, tem um papel fundamental no sentido de RESGATAR SUA ESSÊNCIA, te trazer pra perto de si mesma. Quantas vezes nos sentimos distantes do que realmente somos???
Das maiores angústias provenientes das expectativas, a que mais machuca é quando nos frustramos com nosso próprio destino, com a soma das nossas escolhas até o dado momento, o que resultou de nós   após tantos sonhos de amor infantis, românticos, eróticos... após tantos discursos de justiça, de indignação, de desabafo...  O que realmente aproveitamos das aulas de português, qual nível de alegria te foi acrescentado desde aquela tarde maravilhosa na praia?
MAS O QUE ARIEL TEM A VER COM TUDO ISSO?
Ariel sobrepôs seus sonhos acima da expectativa da familia. Tinha um sonho impossível, fora do contexto da sua realidade. . Perdia horas sonhando, colecionando os tais objetos caídos da superfície, que correspondiam à  materialização do seu sonho, eram seus lapsos de esperança. A cada fuga de seu mundo natural, constatava que era ali mesmo, na superfície terrestre que encontraria a satisfação de seus desejos, onde se sentia inteira, plena e entusiasmada.
Como na vida real, ela teve que arriscar.

Quando a alma grita por mudança precisamos refletir sobre quem somos, o que queremos, onde está nossa felicidade. Não deixar a rotina abafar nosso mundo de sonhos. E assim, seus sentidos aguçados saberão detectar e aproveitar a oportunidade quando ela aparecer.
Não seja impulsiva, não jogue tudo pro alto pois muitas coisas e pessoas estão envolvidas com você.
Mas nunca se abandone. Nunca abandone seus sonhos.

sábado, 3 de novembro de 2012

As raízes do ENGANO.

A participação especial de Eva é importante para que percebamos o seguinte: desde a primeira mulher que existiu (criada por Deus a partir de uma costela), perpassando Branca de Neve (criação dos irmãos Grimm e animada por Walt Disney), até VOCÊ que está lendo este post, (filha do teu pai e da tua mãe)... todas nós mulheres somos enganadas devido a influências internas e-ou externas:
Eva internamente assumiu o risco de comer aquela deliciosa maçã, mesmo tendo sido previamente avisada da proibição. Ela sabia que algo poderia dar errado, mas simplesmente fechou os olhos enganando a si mesma, deixou que o bom senso e a lucidez fossem abafados pela impulsividade. Popularmente falando, Eva pagou pra ver.
Sim, estamos falando de raízes do engano, mas, como deixar de falar das consequências???
Já ouviu alguma vez na vida, proferida da boca de tua amiga, ou mãe, ou irmã... pra não dizer: da tua própria boca: Eu não mereço estar passando por isso! Só pode ser um castigo de Deus.
O cartão está estourado, o seu namorado canalha aprontou de novo, engordou 1 quilo no final de semana, chegou atrasada no trabalho ou escola "só" porque ficou até as 4 da manhã no facebook...
Está entendendo onde vamos chegar com essa história de maçã?
Mas o que dizer de nossa amiga Branca de Neve? Em seu caso, fatores externos a levaram ao engano, porém só tiveram êxito porque internamente não estava preparada para lidar com eles. Enfim, era ingênua. Por ser boa e ingênua, não conseguia ver a maldade nas pessoas. Nunca tive a sensação de Branca sentir raiva de sua madrasta, pelo contrário, se sentia culpada por atrair sua inveja, se sentia incomodada por ser a "causadora da situação".
E o que pensar de uma pobre velhinha que bate a sua porta, lhe ofertando um cesto de maçãs, sem nenhuma intenção. Ao pedido da pobre idosa, talvez ainda que sem fome, para agradá-la, Branca de Neve morde a maçã envenenada.
Quantas vezes o veneno das pessoas impregna nossa alma? Sim, Branca de Neve que está lendo, existem pessoas invejosas, que sorriem pela frente e apunhalam pelas costas. Soou forte demais? É uma constatação chocante demais? Mas infelizmente é verdade.
Você não pode controlar os fatores externos, as situações, muito menos o coração das pessoas.
Quer um conselho?

PENSE BEM ANTES DE ABOCANHAR A MAÇÃ.


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