quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Pérola Negra

Tiana, a primeira Princesa Negra da Disney.

Pesquisa realizada numa escola pública de Brasilia, publicada na Revista Psico, Porto Alegre, PUCRS, v. 42, n. 2, pp. 197-205, abr./jun. 2011.

Método:
Consistia em investigar interações entre meninas negras e brancas, na faixa etária de 9 a 11 anos.

Ocorreu após a pesquisadora distribuir, de forma proposital, uma boneca para cada menina, etnicamente trocadas. 
  • A boneca negra foi oferecida à Vivian e Helen (brancas), e elas recusaram. 
  • Após insistência da pesquisadora, Helen aceitou a boneca negra. 
  • Vivian ficou com a boneca de cabelos castanhos.
  • Paula (negra) ficou com a boneca oriental. 
  • Leila (negra) pediu para ficar com a boneca loira, e alegrou-se ao recebê-la. 

As meninas, então, iniciaram a brincadeira livre.
O momento de distribuição das bonecas já deu uma idéia da preferência de cada menina, e registrados os diálogos entre elas, ao comparar as bonecas e relacionarem as características das bonecas com as suas próprias, a pesquisadora observou o seguinte:

(1) Que existiu uma invisibilidade da boneca negra para todas as meninas; 
(2) Para as meninas negras, esta invisibilidade pode ser estendida a características próprias; 
(3) O caso de Leila (negra) demonstra que além da invisibilidade de características de sua própria etnia, coexiste a valorização excessiva de características caucasianas, atingindo seu ápice com a perspectiva futura de anular as características pessoais para adquirir artificialmente um “cabelo loiro”.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:
Destacamos que episódios similares a este foram observados e relatados nas diversas etapas da pesquisa, sempre na direção da  desvalorização da negritude. A desvalorização, por todas as meninas, de características típicas da população negra,  mostra  o  quanto é  difícil  para  a  criança  negra  construir  uma  noção  de pertencimento étnico-racial positiva e, com isso, um saudável desenvolvimento e constituição de self (Oliveira, 1994). 
Os padrões de beleza dominantes, impregnados de preconceito contra as características negras e de supervalorização das brancas, canalizam culturalmente as interações nos processos de socialização infantil. 

A trajetória de desenvolvimento moral das crianças aponta para a manutenção do racismo velado, e não para a erradicação do preconceito étnico-racial, já explícito na fase infantil, e com impacto mais devastador para as crianças negras (Freire, 2008; Oliveira, 1994).
Leia neste link o conteúdo na íntegra




A beleza negra é exuberante, nada tem de discreta ou passiva.
Em suas veias corre o sangue de uma gente sofrida que resiste à opressão dominante com trabalho e com garra. O sangue de uma gente festeira, que dança, que produz arte, que acolhe, e que tem o sorriso mais branco e alegre do Planeta.
Em homenagem às Mulheres, fiz este vídeo.

video